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26 fevereiro 2012

Fanfic HOUSE OF NIGHT BR - Capítulo Dois



2


Paulo

            O garoto perdeu completamente a noção de tempo. Já parecia estar no banheiro há horas. Voltou a si quando ouviu a voz da mãe no lado de fora da porta.
            - Sai daí, nós precisamos conversar.
            - O que foi? - perguntou abrindo a porta.
            - Eu preciso saber... O que eu faço com você agora?
            - Não sei. O vampiro que me marcou disse que eu tenho que me mudar para uma Morada da Noite.
            - Mas a Morada da Noite mais próxima fica no Rio de Janeiro!
            - É, eu sei.
            - O que acontece se você não quiser ser essa coisa, e não for para essa escola?
            - Eu morro. Não tem jeito de não ir.
            - Ok, vai para o seu quarto arrumar suas coisas, e conversaremos quando seu pai chegar.
            Paulo foi para o seu quarto, e trancou a porta. Ele queria mais que seus pais explodissem. O garoto já estava se sentindo mal, não precisava escutar mais um sermão.
            Começou e empilhar algumas roupas encima da cama. Separou seus jeans mais novos; muitas camisetas, camisas e regatas; roupa de baixo; blusas de frio; calças e bermudas; alguns pares de sapatos; e mais um monte de roupas. Pegou também alguns livros que estava lendo, alguns DVDs, e itens de higiene pessoal, como perfume e desodorante. Aquilo seria suficiente por enquanto, o resto ele daria um jeito de buscar depois. Dividiu suas coisas em duas malas, e colocou no bolso uma pequena chave, que sua avó lhe deu antes de falecer.
            Paulo deixou as malas em um canto do quarto, e deitou na cama. Estava quase pegando no sono quando escutou uma batida na porta. Seus pais não tinham explodido, afinal.
             O pai de Paulo podia até parecer um cara legal no início. Era um coroa normal, cabelos grisalhos, pernas finas, com uma barriguinha. Mas ele na verdade era um tremendo moralista chato. O garoto não podia pisar nem um pouco fora da linha, que ele já vinha com mil pedras para castigá-lo.
            Paulo saiu do quarto e viu que os pais tinham ido para a sala. Ele já podia prever a cena a seguir. O pai ia começar a acusá-lo, e julgá-lo, e a mãe concordaria com tudo o que o pai dissesse, mesmo que no fundo sentisse um pouco de pena do garoto.
            O pai tentou encarar Paulo, mas parecia desencorajado por causa da marca, e fez uma cara de nojo.
            - Eu não me espanto que isso tenha acontecido com você - ele começou. - Seu mau comportamento, o jeito que você me trata. Era óbvio que algo desse tipo ia acabar acontecendo.
            Paulo sacudiu a cabeça. Ele já esperava por algo assim, mas ouvir o pai dizendo aquelas palavras era chocante. Todo mundo sabia que ninguém podia evitar quando era escolhido pela Noite. Quando alguma pessoa era marcada, querendo ou não, teria que passar pela transformação. Não era uma questão de ser bom ou ruim, simplesmente acontecia. Pequenas coisas, consideradas como péssimo comportamento pelo pai do garoto, não faria com que a pessoa fosse escolhida para ser um vampiro. Mentiras ocasionais, e não concordar com algumas convicções dos pais não colocava ninguém na “lista de risco”.
            - Eu não fiz isso, ok? - Paulo disse. - Foi algo que eu não procurei. Simplesmente me escolheram, e nem eu sei o porquê.
            - Mas eu sei. Essas criaturas do demônio escolheram você, porque você é como elas!
            Paulo ficou olhando boquiaberto para o pai. Era só o que faltava! Ele tinha que meter sua religião no meio daquilo! Aquela era a questão. O garoto nunca aceitara muito bem a religião do pai, por isso o pai devia achar que ele era um escolhido do inferno para atormentar sua vida.
            - Isso não é uma coisa maligna! - Paulo começou de novo. - Nós estudamos isso. Alguns adolescentes possuem um tipo de hormônio que outros não têm. Quando chegam a uma fase da vida, esse hormônio começa a reagir, e é quando o Rastreador identifica a pessoa, e a marca. Isso é uma questão genética!
            - Isso é mentira! A ciência está compactuada com o diabo!
            - Eu só estava tentando explicar!
            - E quem é você para explicar algo pra mim?
            Ficaram em silêncio por um momento.
            - O que faremos com ele? - a mãe perguntou como se o garoto não estivesse presente.
            - Eu vou ligar para algumas pessoas que talvez possam ajudar.
            - Você está falando daqueles loucos que você chama de irmãos? - Paulo perguntou.
            - Ligue para a Sandra - o pai disse para a mulher.
            A mãe assentiu, e já ia se levantando, quando Paulo começou a gritar, fazendo-a cair sentada no sofá.
            - Eu não vou aceitar isso! Não vou aceitar que nenhum louco queira me estudar como se eu fosse um extraterrestre! Eu vou para uma Morada da Noite, querendo vocês ou não!
            Paulo começou a tossir freneticamente. Por um momento pensou que ia vomitar.
            - Filho, fique conosco pelo menos essa noite - a mãe tentou.
            O garoto apontou para a própria garganta.
            - Isso vai piorar se eu não for agora. Eu preciso estar com vampiros de verdade.
            - Mas filho...
            - Ok, ligue para quem você quiser! Eu vou para o meu quarto, e vou descansar um pouco. Não estou me sentindo muito bem.

            O garoto foi para o quarto, e sentou na cama. Ele precisava bolar um plano, e rápido. Mas não seria nada fácil inventar alguma coisa. Paulo pegou o celular, e discou o número de Isabella.

29 janeiro 2012

Fanfic HOUSE OF NIGHT BR - Capítulo Um



1


Paulo

            Paulo tinha acabado de ver o último episódio de Glee Project, e estava doido para comentar com alguém. A Isabella era a única amiga que morava perto, que também assistia a série, então rapidamente foi para a casa dela. Paulo não era o tipo de pessoa que guardava uma informação até o dia seguinte, com ele era na hora, ou nunca.
            - Isabella! - gritou da porta de entrada.
            Depois de um tempinho ela apareceu.
            - Oi, Paulo! O que você tá fazendo aqui tão tarde?
            - Você viu a final do Glee Project hoje?
            - Ah, acabei de ver!
            - Eu também! Tive que vim aqui comentar contigo...
            - Ah, fiquei tão feliz. O sotaque irlandês do Damian é muito fofo. Ainda bem que a megera da Lindsay não ganhou.
            - Que bom mesmo!
            Conversaram mais um pouco sobre a série, até que ficou tarde, e ele foi embora. Paulo tinha uma prova no dia seguinte, e ainda nem tinha olhado a matéria. Uma amiga sempre o chamava de folgado, pois nunca estudava, e conseguia se safar melhor do que ela.
            O garoto começou a se sentir um pouco mal no caminho de casa, e resolveu sentar em um banco na praça, para tomar um pouco de fôlego. Abaixou um pouco a cabeça, e quando a levantou, viu o cara. Ele parecia morto. Não morto de verdade, é claro. Mas não era humano. Paulo demorou um pouco para perceber sua marca, mas ela brilhava fortemente em sua testa. A lua crescente azul-safira não deixava dúvidas de quem ele era, e ele estava vindo na direção de Paulo.
            Paulo sentiu enjôo quando viu o vampiro, e começou a se contorcer um pouco. Quando ele estava andando em sua direção, pôde observá-lo melhor. Era um Rastreador.
            Então ele começou a falar, e suas palavras foram como uma adaga no coração do garoto. Eram palavras sedutoras, mas perigosas.
            - Paulo Cilas! Foste escolhido pela Noite; tua morte será teu nascimento. A Noite te chama; preste atenção para escutar Sua doce voz. Teu destino aguarda por ti na Morada da Noite.
            Ele ergueu um dedo longo e branco e apontou para o garoto. A testa de Paulo explodia de dor.

            Quando o garoto deu por si, estava deitado no banco da praça. Sua cabeça parecia que ia explodir.
            Pegou de novo o caminho de casa, pois quanto antes chegasse, mais rápido tomaria um remédio, e mais rápido pararia de delirar, e ver coisas.
            Entrou em casa, pegou um copo e encheu de água. Estava procurando um remédio para dor de cabeça quando a mãe entrou na cozinha.
            - O que tanto você procura? - ela perguntou.
            - Um remédio para dor de cabeça.
            - Estão na gavet... - ela interrompeu a fala quando o olhou mais de perto.
            - O que foi? - perguntou.
            - Não, você não!
            - O quê?
            - Não pode ser... Seu pai, ele não vai gostar nada disso...
            - Do que você está falando?
            - Como você deixou acontecer? Como pôde?
            - O que eu deixei acontecer?
            - Você sabe muito bem do que eu estou falando! Essas aberrações pegaram você. Você agora carrega esse sinal da besta na sua testa...
            A ficha dele caiu quando ela disse aquilo. O que ela estava falando era óbvio. O que aconteceu na praça tinha sido real. Ele tinha sido marcado, e isso não era nada, nada bom.
            Agora Paulo tinha apenas duas escolhas. Ou morria. Ou mudava para uma escola super esquisita, e virava um monstro completo. Todas as pessoas normais achavam que vampiros eram monstros. Ainda corria o risco de mudar para a escola, e seu corpo não aceitar a transformação em vampiro, o que também causaria sua morte.
            Ótimo. Ele, que só queria ser normal, foi obrigado a entrar no tipo de vida mais bizarro que pode existir. Sim, seus pais eram super-ultra-conservadores, e ele sempre tivera que andar na linha. A irmã era a querida da família, com seu marido, e seu filho super fofo. Mas ele que nunca se encaixou direito, e agora estava abandonando a todos completamente. Paulo amava a família, apesar de todos os altos e baixos. E agora isso também seria tirado dele.
            A pior parte em ser um vampiro seria ter que viver em uma escola especial. Ele não veria mais seus amigos normais, teria que morar na escola, o que é realmente chato, e teria que dividir o quarto com algum garoto esquisito.
            A mãe ainda o olhava com aquele olhar incrédulo, como se ele fosse o culpado por todos os pecados do mundo.
            Uma vez Paulo viu um menino ser marcado. Estava no colégio, ele era da sua sala. O Rastreador apareceu no corredor na hora do intervalo, e surpreendeu o garoto ao lado do bebedouro. Ninguém na escola viu o menino depois daquilo. Nem notícias tiveram dele.
            Paulo não entendia porque logo ele tinha sido escolhido dessa vez. Tipo, ele não era uma pessoa muito da noite. Na verdade, nunca se deu muito bem com ambientes escuros. Os vampiros são criaturas noturnas, e precisam se adaptar a isso. Paulo acreditaria que qualquer outra pessoa fosse marcada, mas ele! Era uma ideia um pouco difícil...
            O garoto não aguentava mais o olhar da mãe sobre ele, e foi para o banheiro. Trancou a porta, e lavou o rosto. Ficou por um bom tempo parado, observando seu reflexo no espelho.
            Ele era a mesma pessoa, mas aquele não era o Paulo de sempre. Era seu reflexo, mas no meio de sua testa estava aquela tatuagem exótica. Aquele desenho estranho fazia parte de sua pele morena. A pele que ele herdara de sua avó índia, era agora ornada por um contorno de meia lua azul. O desenho parecia o remeter a tempos muito antigos, quando o mundo era maior, e menos desbravado.
            A partir daquele dia, sua vida iria mudar. Por um momento teve um espasmo de prazer diante do desconhecido. Mas por dentro fazia uma prece silenciosa, pedindo forças. Não sabia para quem pedia, mas sabia que algo se agitava em seu sangue.

19 dezembro 2011

Fanfic HOUSE OF NIGHT BR - Capa e Sinopse

Galera, como eu disse, a partir de Janeiro 3 fanfics começarão a ser postadas aqui no blog. Uma delas sou eu quem escreve. Olhem a capa e a sinopse, e digam o que acham!


Sinopse:
Paulo vivia em conflito com o pai. Um dia, vontando da casa da amiga Isabella, começou a se sentir mal, e sentou em um banco na praça perto de casa. Um homem estranho começou a se aproximar do garoto. Era um rastreador, que deixou a marca de Nyx na testa de Paulo.
Depois de muita briga com os pais, e com uma ajudinha da avó de Isabella, Paulo conseguiu fugir para uma Morada da Noite, localizada no Castelo Mourisco, no Rio de Janeiro. Chegando lá, logo conheceu algumas pessoas, como a intragável Isadora, a doce Jessica, e as meninas Lidiane e Priscila, que apesar de não se conhecerem há muito tempo, eram incrivelmente parecidas.
Com muita aventura e suspense, essa gang terá que passar por vários obstáculos, e mostrar que a união está acima de qualquer diferença.