Páginas

Mostrando postagens com marcador Fanfics. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fanfics. Mostrar todas as postagens

18 março 2012

Fanfic ENCONTRADO - Capítulo Dois



2


Cara! Que coisa mais estranha! Eu sabia que tinha uma irmã, mas não sou o tipo de pessoa que fica imaginando o que vai dizer caso surja uma situação como esta. Então era de se esperar que ambos ficássemos em silencio por um bom tempo e foi exatamente isso que aconteceu, mas só percebi depois de vários minutos tagarelando sem parar comigo mesmo. Foquei minha visão e percebi que ela estava me encarando, mas então me dei conta que ela não estava me encarando, ela estava fazendo o mesmo que eu, falando sem parar... Em sua própria cabeça.
- Então... Zoey?
Ela pareceu um pouco confusa, então percebeu que “estava me encarando” e desviou o olhar o mais rápido que pode.
- Desculpe... O que você me perguntou?
Segurei para não rir, pensando no quanto ela estava se parecendo comigo quando eu estava no mesmo lugar que ela estava agora. Mas então me lembrei de que isso estava muito parecido com o meu... Quer dizer, nosso pai. É logico que estava parecido, ela era filha dele, tanto quanto eu. Será que meus outros irmãos também faziam isso?
Então percebi que estava com cara de idiota olhando o vazio novamente enquanto ela me chamava.
- José? Eduardo?
Foquei o olhar nela e dessa vez não pude segurar, comecei a rir feito um bobo, ela ficou com cara de preocupada ao mesmo tempo em que ficou irritada.
- Desculpe. É que... Primeiro fui eu, depois você e, agora fui eu novamente...
Ela pareceu ficar mais preocupada, mas a irritação deu lugar a duvida.
- Do que você está falando?
Continuei rindo, mas então respirei fundo para me acalmar e respondi:
- De ficarmos tagarelando sozinhos em nossas mentes.
Ela ficou mais preocupada ainda.
- Você consegue ler mentes?!?!
- Não. Lógico que não. Isso é impossível!
- Então o que...?
- Você fica encarando o vazio exatamente como eu faço quando estou em meu blábláblá mental.
Ela respirou aliviada e fiquei curioso com relação ao que ela estava pensando de tão importante para não querer que eu soubesse. Então se sentou na beirada da cama e perguntou:
- Como aconteceu... Quero dizer... Como você foi Marcado?
Pressenti que não era bem essa a pergunta que ela estava querendo fazer, mas decidi não pressioná-la.
- Estávamos na floresta, como todos os anos, comemorando o aniversário da idiot... Quer dizer... O seu aniversário e, eu e o papai brigamos, mais uma vez, e senti vontade de me distanciar dos animais racionais e me aproximar dos animais irracionais. Eles me acalmam muito com seus conselhos.
- Vocês estavam comemorando o meu... Espera ai! Conselhos? Tipo, eles conversam com você?
- Não! Sim! Bem... Eles conversam com todo mundo, mas ninguém é capaz de entendê-los como eu.
Ela revirou os olhos.
- Sei...
- Não, é serio. Eu também achei estranho. Você não pensa que eu sou um psicopata que conversa com os animais esperando receber ordens para matar alguém né?
Ela se levantou um pouco preocupada e se afastou de mim.
- Não. Até agora.
- Fica tranquila, eu não sou. Começou há alguns meses, quando a Silvia ligou para o papai dizendo que você foi marcada. Desde então eu consigo compreender os animais, mas eles não falam comigo como eu e você estamos conversando agora. Eu consigo entender o que eles querem através de seu comportamento. Por exemplo, o Sombra aqui, ele está brigando comigo, pois eu dei um susto muito grande nele e meus pais não o trouxeram no carro ele teve que vir andando até aqui.
- Sombra?
- Sim. Meu gato. É por que quando ele me encontrou eu o vi sair das sombras.
Sombra deu um grito irritado.
- Está bem. Ele acabou de dizer que não é meu gato. Que é ao contrario.
Ela riu e, pela primeira vez eu realmente me senti confortável perto dela.
- Minha gata, a Nala, ela também pensa assim.
O Sombra ronronou mostrando que estava de acordo.
Eu e Zoey rimos. Então ela se aproximou e coçou as orelhas dele fazendo-o ronronar ainda mais. Foi quando percebi.
- Você tem varias tatuagens pelo corpo...
Ela ficou um pouco vermelha e um pouco brava, mas também ficou confusa.
- Você ainda não tinha reparado?
- Não, fiquei tão focado no fato de você ser tão parecida com ele que nem prestei atenção no resto.
Ela entendeu na hora de quem eu estava falando e meio acanhada me perguntou:
- Por que vocês estavam comemorando o meu aniversário?
Fiquei um pouco bravo e respondi de uma forma amarga:
- Não sei. Ele faz isso todos os anos. Mas sempre se esquece do meu...
Ela sentou-se do meu lado colocando os pés para cima e me acalmou:
- Não pense que meu aniversário é grande coisa. É uma droga fazer aniversário perto do natal, por que as pessoas logo ligam as datas e acaba se tornando um natalversário. Só tinha uma pessoa que não fazia essa ligação. Mas ele não esta mais aqui.
Abracei-a meio sem jeito e já totalmente arrependido por ter ficado reclamando. Percebi que ela não falava nada e então tentei desviar o rumo da conversa.
- Ei. Eu sei como é isso de fazer aniversário perto de uma data comemorativa. Deixe-me adivinhar, todos te dão aniversários com motivos natalinos, como bonecos de neve ou arvores de natal?
Ela se virou para mim com os olhos brilhando e sorriu.
- Sim. Como você sabe?
Sorri para ela e fiquei um pouco corado.
- Experimenta fazer aniversário em abril. É bem pior!
- Como assim?
- Este ano. Bem, em 2012 meu aniversário vai ser em um sábado, dia sete, e a páscoa vai ser no dia oito.
Ela sorriu como que querendo ver o lado bom.
- Pelo menos você ganha chocolate e ovos da páscoa.
- Antes fosse assim. As pessoas querem evitar o tema da páscoa, por isso não me dão chocolate, mas tudo o que ganho tem um coelhinho sorridente estampado.
Ela começou a rir novamente. Então uma tempestade de cachos loiros entrou no quarto, seguida de perto por uma garota loira e muito gostosa.
- Zoey. A Shaunee disse que seu irmão está aqui e...
Então a loira a interrompeu.
- Ah não Zoey! Será que você não aprende! Já não teve muitas experiências ruins com vários namorados ao mesmo tempo?
Zoey e eu nos entreolhamos sem saber o que dizer e então começamos a rir muito enquanto as duas nos olhavam com ar de reprovação.
A loira se aproximou mais e perguntou:
- Zoey, isso é serio? O que o Stark vai dizer?
Então entendi por que ele estava no quarto na hora que “acordei”, mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, a tempestade disse:
- O que um humano está fazendo aqui? Como ele se feriu? Ah não! Ele e o Stark brigaram quando o Stark descobriu? Cadê o Stark? O que aconteceu com ele?
Zoey a interrompeu levantando a mão no sinal universal de pare. Então eu e ela começamos a nos recompor das risadas, mas ela já estava ficando brava.
- Vocês acham mesmo que eu ia fazer isso de novo? Mesmo depois do que aconteceu com o Heath?
Elas ficaram meio vermelhas e murmuram desculpas. Então foi minha vez de falar.
- Oi. Meu nome é José Eduardo Montgomery. Primeiro não sou um humano, pelo menos não mais. Eu acho.
Zoey concordou com um aceno e disse:
- Eduardo. Estas são Aphrodite e Stevie Rae. E, sim. Você é um vampiro, eu vi sua marca. Elas é que não estão vendo. É por que está atrás nas bandagens.
Levei minha mão à cabeça e constatei que estava enfaixada. Então continuei.
- Em segundo. Eu e Zoey não somos namorados. Eu sou o irmão da Zoey. Quer dizer, meio irmão.
Stevie Rae estalou os dedos dizendo:
- Aiminhadeusa! É claro! Montgomery! Era o sobrenome da Z. Antes.
Achei engraçado o modo como ela falava, tinha um certo sotaque, mas não parecia aquela coisa de caipira. Ela era até bonitinha falando assim. Aphrodite se aproximou meio confusa.
- Vocês são mesmo irmãos?
Eu e Zoey nos entreolhamos e dissemos ao mesmo tempo:
- Sim.
Ela segurou uma risadinha. Mas Stevie Rae passou na frente dela dizendo:
- Aphrodite! Que coisa para se perguntar! Não percebeu que ele está machucado?
Então ela olhou para mim e pude ver que estava muito mais curiosa do que Aphrodite para saber se éramos realmente irmãos. Tirei as bandagens da cabeça sob um olhar de reprovação de Zoey, mas a encarei e sorri como quem diz: eu estou bem e ela me olhou como quem diz: não, você não está, acabou de quase morrer! Achei isso muito estranho, mas ao mesmo tempo muito legal, pois eu nunca havia compartilhado uma experiência assim com ninguém. Então me virei para Stevie Rae e Aphrodite percebendo que elas estavam nos olhando embasbacadas. Foi ai que percebi. Era como ser uma aberração de circo, mas um circo particular onde apenas quem se apresenta sabe perfeitamente do que se trata a apresentação. Eu estava pela bilionésima vez em meu blábláblá mental, mas dessa vez foi como se eu e Zoey estivéssemos conversando dessa forma, um ouvindo o que o outro pensava.
E foi assim que a tarde se seguiu. Logo Stevie Rae e Aphrodite chegaram a conclusão de que era hora de ir e deixaram eu e “Z.” (como insistiam em chamar a Zoey) sozinhos mais uma vez, mas agora foi diferente, de certa forma eu e ela havíamos começado a ser amigos. E isso foi bom.
Ela havia se levantado e já estava quase saindo quando perguntei:
- Você se importa não é?
Ela se virou para mim atônita.
- Com o que?
Tentei colocar as pernas para fora da cama, mas era muito desconfortável usando aquela roupa estranha de hospital.
- Você sabe. Eu sei que sua vida é muito tumultuada, principalmente depois que você foi Marcada e tal. Mas... Você se importa. Eu sei. Com sua família. E, me desculpe por aparecer do nada e trazer ele comigo.
Ao perceber que eu estava me levantando ela se aproximou me impedindo.
- Nem pense nisso! E, não é culpa sua. O papai não estava mais feliz ao lado da minha mãe. E, ele só pensou que era o melhor pra você.
Ela respirou fundo, olhando em meus olhos, e timidamente perguntou:
- Vocês comemoram mesmo meu aniversário todos os anos?
Fiz que sim com um aceno e, pela primeira vez não fiquei bravo, mas sim feliz. Pois eu sabia que ela também não era culpada por nada do que acontecia comigo. O culpado de tudo o que acontecia comigo era eu mesmo e minhas atitudes.
- Sim. Fazemos isso todos os anos e, mesmo ficando bravo antes, agora percebo que era bom. Pois era a única época em que toda, ou melhor, quase toda a família ficava unida.
Ela sorriu e perguntou:
- Há quanto tempo você sabe?
Ela sentou-se olhando em meus olhos e as palavras simplesmente saíram de minha boca.
- Sei desde os treze anos.
- Você nunca pensou em falar comigo antes?
Senti meu rosto se esquentar e respondi:
- Eu não saberia o que dizer. E, mesmo sem te conhecer eu sentia... Bem, ciúmes de você. Pois o papai sempre se lembrava da “Zoey” dele.
Ela concordou e fez uma ultima pergunta:
- A vovó Redbird sabia?
Acaricie a cabeça do Sombra e sussurrei:
- Sim. Ela sabia. Ela ligou para o papai quando você foi Marcada.
Não sei por que, mas aquelas simples palavras, aquelas simples e inofensivas palavras a fizeram voltar a zangar-se. Imediatamente Stark atravessou a porta com um arco e uma flecha pronta para disparar em um mal inexistente.
- Está tudo bem? O que esta acontecendo?
Zoey virou-se para ele e pediu:
- Pode disparar uma flecha no peito do Eduardo?
Imediatamente me assustei e ele perguntou:
- O quê?!?
Ela pareceu ficar irada.
- Não é serio. Não é ele. É a situação.
Ela saiu do quarto, mas antes se virou para Stark novamente e disse:
- Eu estou bem. Não me siga.
Ele olhou para mim e eu mantive seu olhar sem saber o que dizer. Então perguntei:
- O que aconteceu?
Ele se aproximou sorrindo como quem se desculpa.
- Ela tem passado por muita coisa ultimamente. Você não tem culpa de nada. Só dá um tempo pra ela digerir tudo.
Então ele saiu do quarto também e, pela primeira vez em muito tempo fiquei sozinho.

11 março 2012

Fanfic APHRODITE - Capítulo Dois



2


Agora mais do que nunca, eu tinha que estar pronta para matar. Digo isso porque meu visual tem que estar impecável. Tenho que mostrar a todos que sou forte e que nada me abala por muito tempo. Sendo assim, vou usar uma minissaia jeans meio desbotada, mais uma bota de cano alto, e blusa Dolce & Gabbana, que paguei uma nota preta. O dia promete, já estou vendo um monte de gente vindo me consolar, dizendo que sente muito, que isso, que aquilo. Mas na verdade, ninguém sente nada. As pessoas estão é aliviadas, porque ela morreu e não um deles. Mas chega de pensar em morte e tristeza, vamos partir para luta.
Assim que saí do meu quarto, dei de cara com as gêmeas bizarras compartilhadoras de cérebro. Sério, aquelas duas davam medo, era muito estranho ver uma completando a frase da outra. De qualquer modo, eu não ia com a cara de nenhuma das duas mesmo. Apesar de que secretamente eu achava a amizade das duas muito bonita, é muito difícil hoje em dia você encontrar um sentimento tão verdadeiro e puro como esse parece ser. Mas não conte para ninguém que eu penso isso. De qualquer forma, eu já sabia o que viria seguir, com certeza as compartilhadoras de cérebro também estavam pensando que euzinha iria quebrar com a morte de Vênus. Ai Deusa, é melhor eu acabar com essa historinha melodiosa logo.
- Ficamos sabendo sobre a Vênus e sentimos muito - disse Erin.
- Verdade. É muito difícil perder pessoas que amamos, nós sabemos que estamos sujeitos a isso, mas nunca esperamos pela morte - continuou Shaunee.
Eu sabia que isso iria acontecer, só porque demonstrei fraqueza uma única vez, esse povinho vai achar que eu estou acabada. Mas eu nunca estarei acabada
- O.K. Pode parar com esse melodrama de segunda categoria, eu já vivi merdas demais por hoje, sim ela morreu, eu já superei isso. Acho que quem não esta superando isso são as pessoas desse lugar. Mas que porra, me deixe em paz. Ok?
- Por que você é tão odiosa? Só estamos tentando ser legais com você, vadia do inferno - reclamou Erin.
- Pois eu quero que as duas se afoguem em seus pulmões e me deixem em paz, eu não quero a pena nem o sentimento de ninguém, eu não preciso disso. Não vivo de esmolas alheias. Ela morreu e não podemos fazer nada a não ser esquecer. Será que vocês conseguem fazer isso, ou compartilhar o cérebro as impede de processar tal informação?
- Sabe, é por essa e outras que você vai acabar sozinha Aphrodite, cedo ou tarde, todos vão se afastar de você. Ninguém aguenta mais esse seu jeito de vadia e toda essa sua mania de achar que está por cima de tudo e todos. Se toca garota, você é igual a todos nós, e pode acontecer o mesmo com você - disse Shaunee -  S O Z I N H A Aphrodite, esse será seu trágico fim.
- Cala essa sua boca, eu não vou ficar sozinha coisa nenhuma, todos me amam, todos querem ser meus amigos, eu sou tudo o que este lugar tem, eu sou o brilho, sou alegria de todos. Vocês falam isso porque tem inveja da minha beleza e da popularidade. O que vocês duas têm? Um cérebro para dividir em dois, e um amiguinho gay? Isso é pouco para mim, queridas! Eu quero mais. Eu tenho mais.
- É, você tem tudo, e cadê os seus amigos? Não estou vendo nenhum deles por aqui - disse Erin - Cai na real Aphrodite, você não tem nada. Eles só estão ao seu lado por medo de você, porque você é uma louca odiosa - completou Shaunee.
Eu não queria admitir, mas de certa forma elas estavam certas, ninguém tinha vindo em meu socorro, nem mesmo Erik, aquele inútil que se diz ser meu namorado. Nem as meninas vieram perguntar se estava tudo bem. Mas isso não ia me afetar, eu tinha que mostrar que era superior a isso.
- Por medo ou não, ainda os tenho.
- Se liga garota, medo não é respeito. Medo não é nada.
- Sumam daqui! AGORA! Antes que eu arranque os olhos das duas e faça uma sopa para dar aos pobres.
Certo, elas realmente me tiraram do sério. Eu não era obrigada a ficar ouvindo esse monte de merda. Dei um passo à frente como se fosse atacá-las e elas logo deram o fora. Eu fiquei por mais alguns instantes pensando em cada palavra. Já estava atrasada mesmo, nada melhor do que fazer um suspense. Será que esse realmente seria meu fim? Ficar sozinha? Isso é impossível... Essas gêmeas bizarras estavam querendo e me tirar do sério. Eu vou seguir em diante. Até parece que isso vai me abalar.

-----------•-----------

Perdi a primeira aula, sendo assim fui direito para aula de Feitiços e Rituais com a Professora Anastasia, hoje ela estava com um vestido longo cor de caramelo que emoldurava as curvas de seu belo corpo. De todos os professores da House of Night, a Professora Anastasia era a que eu mais gostava. Apesar de a matéria ser um porre, eu adoro como Anastasia prende a atenção das pessoas, sua voz é de uma leveza e doçura que encantava a todos, não só a mim.
 - Boa Noite Crianças – disse chamando a atenção de todos – Hoje nós vamos falar sobre os Rituais Wicca. Alguém aqui já ouviu falar desse tipo de ritual, ou já participou de algum? Alguém sabe me dizer algo a respeito sobre o assunto?
Pemphredo levantou a mão como se pedisse a palavra
- Como os adeptos de religiões mais convencionais, os iniciados em feitiçaria, ou Wicca, usam rituais para vincular-se espiritualmente entre si e a suas divindades. Sei disso, pois meus pais participam de celebrações do tipo.
A classe imediatamente explodiu em conversas paralelas. Jamais esperava uma declaração desse porte vindo de Pemphredo, ela jamais falava sobre a família humana, ou usava exemplos pessoais em classe ou em qualquer outro lugar.
- Que interessante Pemphredo – disse a professora, acabando com as conversinhas tão instantaneamente como começaram – Peço por gentileza que você leia a página 85 do livro de Feitiços e Rituais 501 Por favor...
“A cena está se tornando cada vez mais comum: um grupo se reúne, geralmente em noites de luar, em meio a uma floresta ou em uma colina isolada. Os ritos da Wicca diferem de um clã para outro. Algumas cerimônias são periódicas, marcando as fases da lua ou a mudança de estações. Outras, tais como a iniciação, casamentos ou pactos, só ocorrem quando há necessidade. E há também aquelas cerimônias que, como a consagração do vinho com um athame, a faca ritualística, fazem parte de todos os encontros. Seja qual for seu propósito, a maioria dos rituais Wicca - especialmente quando celebrados nos locais eleitos eternamente pelos bruxos - evoca um estado de espírito onírico que atravessa os tempos, remontando a uma era mais romântica. Os praticantes da Wicca identificam a lua, eternamente mutante - crescente, cheia e minguante, - com sua grande deusa em suas diversas facetas: donzela, mãe e anciã. E por isso que a cerimônia destinada a canalizar para a terra os poderes mágicos da lua está na essência do culto à deusa, sendo um rito chave na liturgia da Wicca.”
- Neste pequeno fragmento de texto, podemos encontrar diversas semelhanças entre os rituais da Wicca, com os rituais que temos aqui na morada da noite. Alguém pode citar um exemplo?
A sala ficou em silêncio, até que uma caloura com um visual emo horripilante levantou a mão para responder a professora. Acho que o nome da estranha era Victória Lupsy.
- Em nossos rituais oferecemos vinho atado com sangue, sem contar o comprimento que usamos como saudação que é neo-pagão. Em alguns rituais também utilizamos um athame, a faca ritualística.  Assim como nós, os praticantes da Wicca identificam a lua eternamente mutante - crescente cheia e minguante -, com sua grande deusa em suas diversas facetas: donzela, mãe e anciã, que pode facilmente representar as várias formas de NYX.
Puta que pariu, não é que a bichinha é feia e estranha, mas ainda assim inteligente! Aquele papinho de bruxos fazendo o bem e tudo mais já estava esgotando a minha paciência de todo um ano.
- Isso mesmo Victória - disse Anastasia sorrindo, contente com o aprendizado de alguns - A consagração do Vinho através do Athame, se chama o grande rito, é a união simbólica da Deusa e do Deus, também temos o cálice cheio de vinho, que representando o útero vivo da Deusa e o Athame como símbolo fálico representando o Deus. Pemphredo, por gentileza, continue lendo o texto para nós.
"Nyx é a patrona das feiticeiras e bruxas, é a deusa dos segredos e mistérios noturnos, rainha dos astros da noite. Nyx era cultuada por bruxas e feiticeiras, que acreditavam que ela dava fertilidade à terra para brotar erva encantada, e também se acreditava que Nyx tinha total controle sobre vida e morte, tanto de homens como de Deuses. Homero se refere à Nyx com o epíteto "A domadora dos Homens e dos Deuses", demonstrando como os outros Deuses respeitavam-na e temiam esta poderosíssima deidade”.
           - Com base nesse fragmento, podemos ver que são muitas as semelhanças entre Wiccas e Vamps, então, para a próxima aula, eu quero uma listagens com as semelhanças e diferenças entre esses dois tipos de ‘clãs’. Vocês podem usar como base de pesquisa o livro “O Oráculo da Deusa" da escritora Amy Sophia Marashimsky. Lembrando que eu quero a comparação pessoal de cada um. Bom, vejo vocês amanhã pessoal.
           Finalmente esta aula acabara. Eu gosto muito de Anastasia, mas não aguentava mais esse teminha medíocre.  Sendo assim, tinha que cair fora, antes que a professora viesse com aquele papinho de eu sinto muito e blá blá blá. Ia aproveitar a deixa para conversar com a Pemphredo. Que bizarrice foi aquela no começo da aula? Será que ela ficou louca de vez? Na verdade a minha real intenção era conversar com Pemphredo, mas acabei é sendo pega de surpresa por Erik. Que como de costume estava com uma cara de bunda daquelas.
           - Aphrodite, espera. Eu preciso muito falar com você. Sério, e agora.
           Está vendo? Eu não tenho sorte! Quando eu falo que meu dia vai ser uma merda ninguém acredita. É muito drama para um dia só.
           - Ok. Mas vai logo, porque eu não tenho o tempo todo disponível para você.
           - Prometo que a conversa será rápida.
           Na verdade a conversa seria rápida mesmo. Eu só precisava de 5 minutos para fazê-lo mudar de opinião e voltar abanando o rabinho para o meu lado. A realidade era: Erik não sabia mais viver sem mim. Coitado, ele só precisava aprender que quem dita as regras desse jogo sou eu.
           -Então vamos, também estou precisando falar com você.
          
           Continua...

Nota da autora:
(Agradecimento)
Gostaria de agradecer e deixar um beijo super especial 
para a Priscila Lemes, ela me ajudou neste segundo capítulo com a aula da Professora Anastasia.
Obrigada Amiga, um forte abraço para você.

05 março 2012

Fanfic ERIK NIGHT - Capítulo Dois



2



Achei que não conseguiria dormir direito. Aquela novata não saia da minha cabeça! Mas, chegou um momento que caí no sono. Não percebi quando os pensamentos se transformaram em sonho, só lembro que de repente estava parado naquele mesmo corredor escuro, só que Aphrodite não estava lá. Éramos somente eu e a novata.
Eu estava parado no mesmo local em que ela me encontrou com Aphrodite, encostado na parede, sozinho. Assim que me viu, começou a vir em minha direção. Devagar. Seus olhos não se desviavam dos meus. Meu coração se acelerou. Estava ofegante. Ela chegava cada vez mais perto com seus olhos grandes e profundos, seu rosto pálido, sua Marca completa, linda, brilhando em azul safira no meio da testa. Minha vontade era de tocá-la, sentir aquela pele de seda, ir ao seu encontro. Mas não conseguia me mexer, estava hipnotizado, como da primeira vez que nos vimos.
De repente senti algo molhado escorrendo em minha perna. Olhei para baixo e estava sangrando no mesmo local onde Aphrodite havia me cortado com sua unha naquela noite – sonhos são assim, vai entender. Ela seguiu meus olhos para ver o que tinha chamado minha atenção. Quando seus olhos encontraram os meus novamente eles ardiam de desejo. Parecia que ela queria provar de meu sangue. Ela se aproximou mais um pouco, os lábios entreabertos, sua respiração também estava acelerada. Estava tão perto que poderia tocá-la se esticasse minha mão. Aquilo era muito excitante.
Ela deu mais dois passos e parou. Bem perto de mim. Podia sentir o calor que emanava de seu corpo no meu. Ela olhou para minha perna que sangrava com desejo, mas não se mexeu mais. Consegui, finalmente, me mexer e passei os dedos no corte deixando-os cheios de sangue. Sua respiração se acelerava cada vez mais. Passei os dedos sujos com o sangue em meus lábios e me aproximei dela. Seus olhos se fecharam, esperando por meu beijo. Estava a centímetros de sua boca... quando o despertador me acordou.
Acordei assustado. Sentei na cama suando, com o coração disparado, a dor do desejo não satisfeito passando por todo o meu corpo. Quase gritei de frustração. Ainda bem que eu dormia sozinho em meu quarto – ainda não tinham arrumado um novato para dividir o quarto comigo. Ia ser constrangedor acordar desse jeito com alguém olhando e fazendo perguntas.
Suspirei fundo e balancei a cabeça para tentar me livrar do sonho.
– Minha Deusa!
Fiquei sentado na cama por mais um tempo, me lembrando do sonho. Eu ainda estava ofegante.
Levantei em um pulo e fui tomar um banho. Demorei um pouco mais que o normal para ver se me livrava do sonho e me acalmava. Mas sempre que fechava os olhos eram os olhos dela que eu via emoldurando a sua Marca e um calafrio passava por minha espinha. Ia ser difícil me acalmar, então desisti.
Saí do banho, peguei uma toalha e me enxuguei. Coloquei calça jeans uma camiseta preta e um suéter do uniforme e saí do quarto.
Desci para a cozinha do dormitório para tomar meu café da manhã. Não estava com cabeça para nada, então só preparei uma tigela de cereais Frosted Flakes. Geralmente eu preparo um sanduíche ou umas panquecas, mas não hoje. Hoje só me concentrei para comer meus cereais. Os garotos estavam eufóricos, todos conversando, nem perceberam quando não me sentei no meu lugar de sempre. Não queria conversar, ou melhor, não sei se conseguiria me concentrar para responder alguma coisa, então me encostei na pia da cozinha, que era um pouco afastada da mesa onde os meninos conversavam. No começo, com tanta gente falando ao mesmo tempo e eu ainda com o sonho vívido em minha mente, nem prestei muita atenção ao assunto que eles conversavam, era tudo um zumbido só.
– Vocês viram a Marca dela?
– Estava mesmo completa!
– O que será que ela tem? Nunca na história dos vampiros um novato teve a marca completada antes da transformação.
– Isso eu não sei, mas a Marca dela é linda!
Foi esse diálogo que chamou minha atenção. Não sei quem estava conversando e não me virei para ver quem era. Só fiquei prestando atenção ao que eles diziam.
– Cara! A Marca dela é linda mesmo. Mas não é só isso que ela tem de bom. Ela é muito gostosa! Depois que consegui tirar os olhos daquela Marca, fiquei impressionado com outros atributos. – Ele deu uma risadinha.
– É. Isso é verdade. Tá certo que todas as garotas da Morada da Noite são bonitas e gostosas, mas ela está além das expectativas.
Eu tinha reparado que seu rosto era lindo. E os olhos... Ah, que olhos! Mas não tive tempo de ver o resto. Estava hipnotizado por seus olhos. Mas hoje eu tiraria o atraso. Ela realmente tinha alguma coisa para ter chamado tanta atenção assim em tão pouco tempo.
A única garota que tinha conquistado tantos admiradores tão rapidamente tinha sido Aphrodite, e nem foi tão rápido assim. Mas os garotos se desinteressaram um pouco quando viram como ela era e, é claro que eu já estava com Aphrodite antes mesmo que algum deles tivesse tentado alguma coisa. Eles ainda a achavam gostosa, mas de longe. Eram poucos os que ainda tinham coragem em tentar alguma coisa com ela.
– Olha, ela é realmente gostosa, mas o que mais me chamou a atenção foi o seu rosto. Deusa, que rosto! Seus olhos são de uma cor indefinida, entre o castanho e o verde. São lindos.
– E a boca? Aqueles lábios cheios! Deu vontade de morder.
– Alguém se lembra do nome dela?
– Zoey Redbird, se não me engano.
Zoey. Era isso mesmo. Era essa a novata que nossa Morada da Noite estava esperando. Eu havia escutado Neferet falar esse nome para Stevie Rae quando lhe avisou sobre sua nova colega de quarto, mas na hora não prestei muita atenção, por isso havia me esquecido.
Cole e T.J. não estavam exagerando quando disseram que todos já estavam comentando sobre a novata ontem. “Onde estão esses dois que não desceram ainda?”
Foi eu terminar de pensar nos dois que eles apareceram.
– E aí Erick? – Cole me cumprimentou com um tapinha no ombro. – Preparado?
Ele percebeu minha expressão confusa de “preparado para que?” e continuou – Para encontrar com Aphrodite? Hoje você não tem escapatória cara. Por mais que consiga evita-la durante as aulas, temos o Ritual das Filhas e Filhos das Trevas mais tarde, temos que ajudar a arrumar as coisas.
– É cara, você não pode faltar, sabe disso. – T.J. completou.
Por um instante eu achei que eles sabiam de meu interesse por Zoey, mas depois que eles comentaram sobre Aphrodite a ficha caiu.
– Pois é. Acho que nunca estarei preparado para isso. Mas, fazer o quê? Como vocês disseram, hoje eu não tenho como escapar. Bem, vou ter que encarar e ver o que acontece. – Respondi. Só agora me lembrando de Aphrodite e de suas consequências.
– Cara, você sabe que sou seu amigo, mas eu não queria estar na sua pele. – T. J. riu.
– Vai passar. Sei que vou ter alguns problemas ainda, mas um dia Aphrodite encontra alguém melhor do que eu para atazanar, se é que já não encontrou. – Lancei um olhar interrogativo aos dois para ver se eles tinham alguma novidade sobre Zoey.
– É verdade. Com certeza ela já encontrou. Depois do sucesso – Cole ergueu aspas com as mãos ao dizer a palavra sucesso – que a novata fez ontem, Aphrodite com certeza não vai ter muito tempo para pegar no seu pé. Ah, aliás, o nome da novata é Zoey Redbird.
– É, fiquei sabendo. – Eu disse olhando ao redor, para os garotos no refeitório. Eles ainda estavam falando sobre Zoey.
– Como eu disse ontem – T. J. comentou – todos na Morada da Noite estão comentando sobre a novata.
– Percebi. – Suspirei. A concorrência ia ser grande.
– Olha, o papo está bom, mas acho melhor irmos agora se não quisermos nos atrasar para a aula. Quem sabe não temos sorte e encontramos com a novata no pátio. – Cole disse colocando sua tigela de cereal vazia na máquina de lavar.
– É, vamos logo. Já estamos atrasados. – Concordei.

Fomos para nossa primeira aula. Eles estavam conversando sobre fazerem exercícios após o Ritual das Filas e Filhos das trevas, mas eu não estava prestando atenção. Estava pensando em Zoey. Esse nome fez com que meu estômago desse voltas e mais voltas.
Fui interrompido de meus pensamentos no caminho para a aula pela Professora Nolan, nossa professora de teatro. Eu era um ótimo ator. Ganhei a competição mundial de monólogos da Morada da Noite ano passado em Londres. E chamei um pouco a atenção por minha interpretação de Tony na produção de “West Side Story” na Broadway e em Hollywood no semestre passado. A professora Nolan ia começar com os monólogos para os terceiros formandos, e me perguntou se eu poderia fazer uma demonstração para a sua turma no início da aula do terceiro período. Ela me pediu para recitar o monólogo de Otelo, escrito pelo vampiro Shakespeare.
– Claro que posso Professora Nolan. Será um prazer. – Aceitei o convite de imediato. Era sempre bom ter uma plateia.
– Espero por você então. Obrigada Erick, é sempre bom mostrar seu talento para inspirar meus alunos. Pode deixar que aviso seu professor do terceiro período de que você vai se atrasar um pouquinho. – A Professora Nolan respondeu sorridente.
– Obrigado Professora. – Respondi e acompanhei os meninos para a aula.
Minhas duas primeiras aulas passaram sem que eu percebesse. Estava tão perdido em pensamentos que nem vi o tempo passar. Apesar das aulas da Morada da Noite serem totalmente diferentes das aulas que temos nas escolas comuns – aqui não tem nada de geometria ou trigonometria, matérias que eu não gosto nada – e serem muito interessantes, eu não estava conseguindo me concentrar cem por cento. Meus pensamentos insistiam em girar em torno de Zoey e como eu me comportaria na Sala de Jantar quando eu a encontrasse novamente. Pior, como eu me comportaria se por acaso a encontrasse nos intervalos das aulas. Eu não sabia ainda o que fazer. Eu nunca fiquei tão nervoso, nem mesmo quando tinha que apresentar um monólogo em uma competição para centenas de pessoas. E isso era novidade para mim.
Se não fosse por Cole me dizer – Depois me conta das gatinhas da sala da Professora Nolan – teria me esquecido do monólogo que a Professora tinha me pedido para recitar para sua turma.
Segui então para a aula de teatro da Professora Nolan para recitar o monólogo, sempre atento ao meu redor para não ser pego de surpresa caso a novata passasse perto de mim. Andava um pouco de cabeça baixa, dando a impressão de estar concentrado em alguma coisa, mas a verdade é que eu estava com medo. Medo de não saber o que fazer se eu a encontrasse e ela me olhasse com olhos de acusação tipo “Eu sei o que você fez no verão passado”. Tá certo que isso ela não sabia, mas viu o que eu fazia no corredor escuro ontem à noite com Aphrodite e com certeza ela teria a visão errada de mim. “E se ela me olhasse com nojo? Ela tinha toda a razão para fazer isso, caso ela fosse uma menina certinha. Ou, ela podia ser uma cachorra como Aphrodite. Aí, talvez, ela não tivesse se incomodado com a cena que tinha presenciado.” – Os comentários dos meninos na cozinha do dormitório não me ajudaram muito sobre sua personalidade. Teria que descobrir isso sozinho. Meu estômago dava voltas de preocupação e ansiedade. – Ai meu estômago. – Disse a mim mesmo começando a ficar enjoado.
A sala de aula da Professora Nolan era um pouco longe da sala de aula em que eu estava, por isso eu ia chegar um pouco depois da sua aula já ter começado.
Parei à porta da sala, observando os alunos pela janela que todas as portas das salas de aula têm, queria ver se a aula já tinha começado há muito tempo. Para minha sorte os alunos ainda estavam se arrumando em suas carteiras. Isso queria dizer que eu não estava tão atrasado como achava que estava. Corri os olhos pelos alunos para ver quem estava na sala e meu coração parou.
Ela estava nesta aula, procurando uma carteira para se sentar. Parecia tímida. Talvez ela fosse uma boa garota. Diferente de Aphrodite. Mas não tinha como ter certeza somente por achar que ela era tímida.
A Professora Nolan falou com ela.
– Zoey, bem vinda! Sente-se em qualquer lugar.
Ela se sentou ao lado da Elizabeth Sem Sobrenome – que nome esquisito para se escolher. Por um instante fiquei feliz por ela estar ali. Agora veria tudo o que os meninos comentaram com meus próprios olhos e encontraria aqueles lindos olhos novamente. De repente, a ficha caiu. Saí rapidamente da janela da porta para que ninguém me visse e me encostei na parede ao lado de fora da sala. Meu coração disparou, minhas mãos começaram a suar frio. Estava tendo um ataque de pânico.
“Zoey! Ela estava nessa aula! Não! Eu ainda não estou preparado para me encontrar com ela. O que eu vou fazer? O que ela vai pensar de mim? Como ela vai agir quando me vir? Como eu vou reagir a ela?” – Meus pensamentos estavam me deixando cada vez mais enjoado. Meu estômago dava voltas e voltas. Pensei se não seria melhor sair dali e inventar uma desculpa depois para a Professora Nolan. Mas ela saberia que eu estava mentindo. Vampiros sempre sabem. – “Acho que vou vomitar!” – Esse foi meu último pensamento antes de eu começar a respirar fundo e devagar para tentar me acalmar.
 “Acalme-se Erik! Nenhuma garota, por mais bela que fosse, teve tal controle sobre você. Você tem que se acalmar! Você é um ator! Por mais que você esteja nervoso, você sabe atuar. Concentre-se.” – Foi com esse pensamento que eu me acalmei. Eu iria interpretar um papel, isso eu fazia bem. Respirei fundo, algumas vezes, e consegui me acalmar um pouco.
Mais calmo, consegui pensar com mais clareza e percebi que tinha que enfrentar essa ansiedade sem noção. Alguma hora eu iria encontra-la. Morávamos na mesma Morada da Noite! E, pensando bem, essa era a melhor maneira de reencontrá-la depois do acontecido. Com certeza a professora Nolan ia falar bem de mim. Afinal de contas eu era seu aluno preferido.
Ainda estava me recuperando quando ouvi a Professora Nolan falando com os alunos.
– Estamos para começar a escolher os monólogos que cada um de vocês apresentará à turma na próxima semana. Mas primeiro, achei que vocês gostariam de uma demonstração de como se faz um monólogo, então pedi a um talentoso aluno do ano mais avançado para dar um pulo aqui e recitar um monólogo de Otelo, de autoria do antigo escritor vampiro Shakespeare.
Respirei fundo mais uma vez, coloquei minha “máscara” de ator e apareci novamente na janela da porta. A professora Nolan me viu.
– Aqui está ele. Entre, Erik. Como sempre, seu senso de timing está perfeito. Estamos prontos para seu monólogo. – A Professora Nolan me apresentou para a turma e continuou.
– A maioria de vocês já conhece o quinto-formando Erik Night e sabem que ele venceu o concurso de monólogos da Morada da Noite do ano passado, cuja final foi em Londres. Ele também já está gerando buchicho em Hollywood e na Broadway por causa de sua performance como Tony em nossa produção de West Side Story no ano passado. A turma é toda sua Erik. – Ele me disse com um sorriso radiante. Como eu havia pensado, ela fez uma boa propaganda minha. Isso me animou. Agora Zoey conhecia uma qualidade minha.
Subi ao pequeno palco na frente da sala, com um pouco mais de confiança, enquanto a turma me recebia com uma salva de palmas. Eu já sabia onde ela estava sentada, por isso não foi difícil encontra-la quando me virei para falar com a turma.
– Oi pessoal. Tudo bem? – Eu disse diretamente para Zoey. Queria realmente saber se ela, em particular, estava bem. Suas bochechas ficaram levemente mais avermelhadas. “Ela está corando!”. Bem, então ela percebeu que eu estava falando com ela.
Ela era linda. Mais bela ainda do que eu me lembrava, ou mesmo em meus sonhos. Seus cabelos eram pretos e brilhosos como a meia noite adornada com o brilho das estrelas. Seus olhos redondos e um pouco acanhados eram cor de avelã – o garoto na cozinha do dormitório tinha acertado ao dizer que seus olhos eram castanho-esverdeados, mas ele não tinha sido justo ao descrevê-los, eles eram muito mais que lindos, eles tinham um algo a mais que eu não conseguia explicar. Eram hipnotizadores! As bochechas e o nariz tinham um traço forte do povo Cherokee, o que realçava sua individualidade, com certeza ela era uma descendente. E seus lábios. Ah, que lábios. Cheios, cobertos por uma fina camada brilhante de gloss que já estava se acabando, mas mesmo assim bem vermelhos, como cerejas. E, o que chamava mais atenção, sua marca completa. Brilhando em um azul safira incrível, bem no meio de sua testa. Tive que me segurar para não ir até ela naquele momento. Minha vontade de tocá-la era a mesma do corredor, quando a vi pela primeira vez, só que agora era mais forte. Muito mais forte. Usei toda a minha força de vontade para ficar e me lembrar de onde estava. Eu nunca tinha visto garota mais linda, não me admira todos os garotos estarem interessados por ela. Não consegui ver se ela era tão gostosa quanto os meninos no dormitório falaram, pois ela estava sentada, mas só aquele rosto bastava para me tirar o fôlego. Ela parecia uma deusa ancestral.
Não se passou nem um segundo enquanto eu absorvia toda a sua beleza. Recompus-me e continuei conversando com a turma.
– Monólogos aparentemente intimidam, mas o segredo é ter o texto decorado e imaginar que está contracenando com um elenco de vários atores. Finja que não está aqui em cima sozinho, assim. – Comecei com o monólogo de Otelo, imaginando Zoey como Desdêmona. Era fácil demonstrar todo o amor de Otelo por Desdêmona quando colocava Zoey em seu lugar. Eu me imaginei amando-a e percebi como isso seria fácil. Amá-la seria fácil demais.
Terminei o monólogo olhando diretamente nos olhos de Zoey.
Ela me amou pelos perigos que passei
E eu a amei por ter se revelado compassiva.
Seus olhos me hipnotizaram novamente. De repente era só ela que existia, mais nada. Não tinha mais sala de aula, nem professora, nem outros novatos. Não tinha mais ninguém no mundo. Um calafrio percorreu o meu corpo. Tive que me concentrar outra vez para não ir até ela e a agarrar ali mesmo, na frente de todo mundo.
Sorri e toquei os lábios gentilmente lhe mandando um beijo discreto. Ela também estava me olhando de uma forma profunda, como se estivéssemos conectados. Mas eu estava fazendo um monólogo, não estava? Para quem mais ela poderia estar olhando? Porém, ela parecia estar um pouco mais corada do que no começo da aula. Fiz uma mesura e terminei de me apresentar. Tinha que sair dali. Estava perdendo a razão.
Os novatos aplaudiram e isso me ajudou a sair do transe hipnótico de seus olhos. Eu tinha que sair de lá antes que fizesse alguma bobagem.
Saí enquanto a Professora Nolan pedia aos alunos que escolhessem um monólogo que significasse alguma coisa para eles. Virei para dar mais uma olhada em Zoey. Para minha surpresa, ela também me olhava. Sua expressão parecia ser de interesse, mas eu devia estar imaginando coisa. Ou ela só estava interessada em ver bem o rosto daquele que ela tinha flagrado no corredor. Com certeza ela tinha me reconhecido. Mas eu ainda tinha uma pontinha de esperança de que ela estivesse interessada em mim.
Quando ela percebeu que eu a tinha flagrado me espiando, seu rosto corou novamente. Sorri para ela, olhando mais uma vez naqueles olhos lindos, não consegui evitar.
Não esperei para ver se ela sorriria de volta. Fiquei com medo. Afinal de contas, ainda não sabia o que ela pesava de mim. Abri a porta e saí da sala.

Continua...

26 fevereiro 2012

Fanfic HOUSE OF NIGHT BR - Capítulo Dois



2


Paulo

            O garoto perdeu completamente a noção de tempo. Já parecia estar no banheiro há horas. Voltou a si quando ouviu a voz da mãe no lado de fora da porta.
            - Sai daí, nós precisamos conversar.
            - O que foi? - perguntou abrindo a porta.
            - Eu preciso saber... O que eu faço com você agora?
            - Não sei. O vampiro que me marcou disse que eu tenho que me mudar para uma Morada da Noite.
            - Mas a Morada da Noite mais próxima fica no Rio de Janeiro!
            - É, eu sei.
            - O que acontece se você não quiser ser essa coisa, e não for para essa escola?
            - Eu morro. Não tem jeito de não ir.
            - Ok, vai para o seu quarto arrumar suas coisas, e conversaremos quando seu pai chegar.
            Paulo foi para o seu quarto, e trancou a porta. Ele queria mais que seus pais explodissem. O garoto já estava se sentindo mal, não precisava escutar mais um sermão.
            Começou e empilhar algumas roupas encima da cama. Separou seus jeans mais novos; muitas camisetas, camisas e regatas; roupa de baixo; blusas de frio; calças e bermudas; alguns pares de sapatos; e mais um monte de roupas. Pegou também alguns livros que estava lendo, alguns DVDs, e itens de higiene pessoal, como perfume e desodorante. Aquilo seria suficiente por enquanto, o resto ele daria um jeito de buscar depois. Dividiu suas coisas em duas malas, e colocou no bolso uma pequena chave, que sua avó lhe deu antes de falecer.
            Paulo deixou as malas em um canto do quarto, e deitou na cama. Estava quase pegando no sono quando escutou uma batida na porta. Seus pais não tinham explodido, afinal.
             O pai de Paulo podia até parecer um cara legal no início. Era um coroa normal, cabelos grisalhos, pernas finas, com uma barriguinha. Mas ele na verdade era um tremendo moralista chato. O garoto não podia pisar nem um pouco fora da linha, que ele já vinha com mil pedras para castigá-lo.
            Paulo saiu do quarto e viu que os pais tinham ido para a sala. Ele já podia prever a cena a seguir. O pai ia começar a acusá-lo, e julgá-lo, e a mãe concordaria com tudo o que o pai dissesse, mesmo que no fundo sentisse um pouco de pena do garoto.
            O pai tentou encarar Paulo, mas parecia desencorajado por causa da marca, e fez uma cara de nojo.
            - Eu não me espanto que isso tenha acontecido com você - ele começou. - Seu mau comportamento, o jeito que você me trata. Era óbvio que algo desse tipo ia acabar acontecendo.
            Paulo sacudiu a cabeça. Ele já esperava por algo assim, mas ouvir o pai dizendo aquelas palavras era chocante. Todo mundo sabia que ninguém podia evitar quando era escolhido pela Noite. Quando alguma pessoa era marcada, querendo ou não, teria que passar pela transformação. Não era uma questão de ser bom ou ruim, simplesmente acontecia. Pequenas coisas, consideradas como péssimo comportamento pelo pai do garoto, não faria com que a pessoa fosse escolhida para ser um vampiro. Mentiras ocasionais, e não concordar com algumas convicções dos pais não colocava ninguém na “lista de risco”.
            - Eu não fiz isso, ok? - Paulo disse. - Foi algo que eu não procurei. Simplesmente me escolheram, e nem eu sei o porquê.
            - Mas eu sei. Essas criaturas do demônio escolheram você, porque você é como elas!
            Paulo ficou olhando boquiaberto para o pai. Era só o que faltava! Ele tinha que meter sua religião no meio daquilo! Aquela era a questão. O garoto nunca aceitara muito bem a religião do pai, por isso o pai devia achar que ele era um escolhido do inferno para atormentar sua vida.
            - Isso não é uma coisa maligna! - Paulo começou de novo. - Nós estudamos isso. Alguns adolescentes possuem um tipo de hormônio que outros não têm. Quando chegam a uma fase da vida, esse hormônio começa a reagir, e é quando o Rastreador identifica a pessoa, e a marca. Isso é uma questão genética!
            - Isso é mentira! A ciência está compactuada com o diabo!
            - Eu só estava tentando explicar!
            - E quem é você para explicar algo pra mim?
            Ficaram em silêncio por um momento.
            - O que faremos com ele? - a mãe perguntou como se o garoto não estivesse presente.
            - Eu vou ligar para algumas pessoas que talvez possam ajudar.
            - Você está falando daqueles loucos que você chama de irmãos? - Paulo perguntou.
            - Ligue para a Sandra - o pai disse para a mulher.
            A mãe assentiu, e já ia se levantando, quando Paulo começou a gritar, fazendo-a cair sentada no sofá.
            - Eu não vou aceitar isso! Não vou aceitar que nenhum louco queira me estudar como se eu fosse um extraterrestre! Eu vou para uma Morada da Noite, querendo vocês ou não!
            Paulo começou a tossir freneticamente. Por um momento pensou que ia vomitar.
            - Filho, fique conosco pelo menos essa noite - a mãe tentou.
            O garoto apontou para a própria garganta.
            - Isso vai piorar se eu não for agora. Eu preciso estar com vampiros de verdade.
            - Mas filho...
            - Ok, ligue para quem você quiser! Eu vou para o meu quarto, e vou descansar um pouco. Não estou me sentindo muito bem.

            O garoto foi para o quarto, e sentou na cama. Ele precisava bolar um plano, e rápido. Mas não seria nada fácil inventar alguma coisa. Paulo pegou o celular, e discou o número de Isabella.